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quinta-feira, abril 29, 2004

Castro, a Drag King brasileira

Acreditem. Castro conseguiu ficar com uma mulher. E foi levado (a) pra casa dela.

- Prinça, Castro tem uma coisa pra te dizer.
- O que, meu garanhão?
- ...
- Garanhão?
- É que...
- Nhãonhãozinho?
- É que eu preciso tirar água do joelho.
- Ah, nhãonhãozinho, só isso? Hihihihihi, pensei que fosse alguma coisa séria, né? O banheiro é ali, ó, naquela porta ali, ó. Não tem chave mas pode deixar que eu não vou espiar nadica. Enquanto você mija eu vou me amarrando na cama.
- Grrrrrrrrrrr, faz Castro, saindo de cima da moça e dirigindo-se ao banheiro.

“Que merda”, pensou Castro, “nunca pensei que fosse conseguir. E agora, o que é que eu faço pra ela não descobrir que eu não sou homem? Estou perdido.”
Castro fica dentro do banheiro, nevoso (a). Tira a meia de dentro da calça e olha. “Essa meia velha não tem mais nem elástico, como vou comer a gata com ela?”. Pensativo (a), Castro senta na privada. Seus olhos caem num canto do box, onde jaz o chuveirinho. “Hm”. Castro pensa com luxúria nos lugares por onde andou aquele chuveirinho e... “Claro! O chuveirinho!”

Técnica: música de McGiver.

Castro tira seu canivete de osso do bolso (Castro sonha em ter um Vitorinox, ou mesmo um Trim, mas por enquanto ainda tem que cortar as unhas com essa faquinha que roubou do zelador), corta um pedaço de 20 cm da mangueira do chuveirinho. Testa sua flexibilidade. Perfeita. Olha em volta, revira o armarinho do banheiro. Separa dois absorventes e uma camisinha. Enrola os absorventes na mangueirinha e cobre com a camisinha. Voila: Castro tem um membro. Agora últimos retoques. Com uma meia calça cor da pele que tirou da roupa suja, Castro amarra o membro à sua cintura e se sente o novo Alexandre Frota.

Sai do banheiro balançando o pênis que nunca teve. Entra no quarto e encontra a gata de calcinha cor de vinho, amarrada na cama com barbante de coturno, tentando coçar a axila com a língua. Cai o pano.

P.S. submetida a testes, a gata revelou QI de um dígito, cândida e 9 graus de miopia.

Eretamente,

Castro, a Drag King brasileira

Castro sai a noite. Como citou a amiga Jelly ontem a noite, "foi sozinha na Ipsis num dia de enchente". Lá, bebeu, escolheu, e atacou.

- Oi, meu nome é Castro. Não se procupe, eu sei que vc é lésbica. Mas olha: eu também sou mulher. Hein? Incrível, né? Eu sei, todo mundo tem essa reação. A gente sempre ouve falar que tem pessoas quesão homens presos em um corpo de mulher, mas quando se depara com um mesmo, é diferente. É difícil acreditar que eu nasci mulher, eu sei. Mas, se vc quiser, a gente vai no banheiro e eu te mostro a minha pilinguinha. Quer ir?

A outra, olhando curiosa, responde:

- Eu não entendi o que vc tá falando, gata, mas se vc me pagar uma cerveja a gente pode se beijar. Tem cigarro?

Castro se revolta.

- Tudo bem, vc é apenas mais uma rejeição numa vida cheia delas. Fuck sociedade! Fuck machismo! Fuck preconceito! Minha alma é de homem e vcs não vão me vencer!

Pega na meia, que já está torta, e sai xingando. Castro cola fios de carpete no rosto pra fingir de barba e ouviu falar que tem uma cola que não deixa as costeletas postiças desgrudarem. Um dia, pensa com os olhos cheios de lágrimas, vai tomar hormônios, raspar a barba e poder colar pedacinhos de papel higiênico no rosto quando acidentalmente se cortar com o prestobarba.

testicularmente,

terça-feira, abril 27, 2004

Castro, a Drag King brasileira.

Castro chega de pick up num posto de gasolina na beira de uma estrada, entre o nada e o coisa nenhuma. Abre a porta, pisa com sua carrapeta no chão empoeirado. Desce. Anda em direção ao pequeno e pobre café do posto. Alguns caminhoneiros lá dentro. Sua bota faz um barulho interessante esmagando a terra do chão. Castro começa.

- Bom dia.
- Dia.
- A senhora pode me dar a chave do banheiro?
- Momentinho.

A senhora dá as costas para procurar numa gaveta cheia de chaves com chaveiros feitos com pedaços velhos de madeira amarrados por barbantes ensebados. Castro continua.

- Viu, senhora. É do banheiro feminino. Viu? Feminino.

A mulher nem liga. Castro se debruça sobre o balcão e toma uma postura mais cúmplice. Castro fala mais baixo.

- Eu sei que não parece, mas eu sou uma mulher...
- Tá aqui a chave, moça, a senhora do posto interrompe entediada, é a segunda porta a direita, tem uma lua desenhada.

Castro vai ao banheiro. Volta, se espreguiçando pelo caminho.

- Aqui a chave, obrigada.
- Nada.
- A senhora não ficou surpresa?
- Hein?
- Que eu sou uma mulher? Eu sei que é chocante pra alguns, mas esse sou eu, e eu me sinto homem.

A mulher do posto não muda sua expressão de tédio.

- Moça, se a senhora usou drogas no meu banheiro tudo bem, já passou, mas agora vou ter que pedir pra senhora ir embora.
- É sempre assim. Se eu sou um homem, óóóóó. Claro, senhor. Pois não senhor. Mas assim que descobrem que eu sou uma mulher, o preconceito se impõe. Fuck sociedade! Fuck machismo! Fuck preconceito!

Castro sai andando, pegando na meia que tem dentro da calça como se fosse um pau. Castro está juntando dinheiro pra comprar um pau de silicone. Operação é caro demais. Uma das meias cai pela perna da calça jeans e fica no chão, na lojinha do posto. A senhora pensa em devolver, mas só de imaginar aquela mulher esquisita voltando, desiste.

transformadamente,

segunda-feira, abril 26, 2004

Extra, extra! Siririca de Paula foi presa no Skol Beats. Não é verti?

segunda-feira, abril 19, 2004



Mais uma vez o Chá com Bolachas chega com tudo.
E com muitos corpos gostosos de vantagem

Você não pode perder esta edição da festa mais rebolativa da cidade.
Nas pick-ups vai ter um páreo duro:
as djs Barbie, Aline e Tati Baigdá tão montando sets galopantes
para você se acabar muuuito na pista.

Então, meu bem, faz a amazona e venha pro Matrix mostrar o que você sabe fazer com as ancas.

::ChA CoM BoLaChAs em UpA, UpA!::

Quarta - 21/04 - 22h


Quero ver você colocar a Lacraia no chinelo.

Estamos te esperando.
Beijos e até quarta

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::ChA CoM BoLaChAs em UpA, UpA!:: - Quarta 21/04 - 22:00h - Matrix. R. Aspicuelta, 459
Com flyer: 5 ent. + 5 cons. / Sem Flyer: 8 ent. + 8 cons.
Não esqueça de imprimir seu flyer! Ele é o seu desconto!
www.fotolog.net/chacombolachas

011 14 69

Vc não está cansada de malhar, malhar e continuar com uma barriga de patricinha? Como se um dia você fosse engravidar? Como se você realmente admirasse formas femininas como cintura e aquele morrinho embaixo do umbigo? Calma, amiga. Agora chegou Abtronic Special Edition for Dykes com não um nem dois, mas três espaços, para vc chamar suas melhores amigas para fazerem abdominais com vc.

Com manoplas antibacterianas você pode transar depois de fazer abdominais sem se preocupar em lavar as mãos. Ou transar e fazer abdominais ao mesmo tempo! Sim, o novo Abtronic Special Edition for Dykes vem com um exclusivo eixo central que permite que você o use de cabeça para baixo, auxiliando na hora de ficar por cima da gata sedenta de você. E mais: você pode usar as manoplas como auxiliar de penetração! É incrível!

O novo Abtronic Special Edition for Dykes é totalmente dobrável e cabe dentro desta linda pochete, para você levar aonde quiser: pro farol, pro astúrias, pro vermont, pro pagode, enfim, pra qualquer lugar onde possa surgir a necessidade de fazer uns abdominais. E o melhor: na propaganda do novo Abtronic Special Edition for Dykes aqueles fortões com abdomens perfeitos são nada mais nada menos que: transsexuais chineses! Isso mesmo!

Mas agora vem a melhor parte: se você comprar o seu novo Abtronic Special Edition for Dykes agora você concorre a uma cirurgia de troca de sexo na Tailândia. Isso mesmo: você vai virar um menino de verdade aumentando o seu aliche na Tailância. E não é só: você ainda recebe inteiramente de graça um kit Gillette Butch 3, o barbeador que engrossa os pelos do rosto.

Então, o que está esperando? Você não adora que dêem pra você? Então ligue já, compre seu novo Abtronic Special Edition for Dykes que nós damos tudo o que você quiser, até mesmo a portinhola!!!!

importadamente,

sábado, abril 17, 2004

hoje de manhã, sim, sábado de manhã, eu tava indo pro trabalho de moto, sim, era sábado de manhã e eu tava indo pro trabalho, eu passei na frente do centro cultural da carambola quando vi um desses carroceiros, desses catadores de papel, com uma camiseta customizada com dizeres:

FUCK YOU MARINA

eu nem vou comentar. vou deixar que vcs comentem. eu sei que vcs entendem.

sabatinadamente,

sexta-feira, abril 16, 2004

NICOLETA POCHE T.
A GINECOLOGISTA LÉSBICA

Ela pega a ficha da próxima paciente. 1m70, 60 quilos, 26 anos. Respira fundo. Abre uma fresta da porta. Espia. Uma gostosa. Fica nervosa. Lava as mãos, raspa bem embaixo das unhas. Penteia o mullet. Bochecha um pouco de Cepacol. Chama. Sra. Clara Albuquerque, pode entrar. Como vai? Tudo bem? Algo de diferente? Não? Certo. Toma algum contraceptivo? Não!? Jura!? Mas por que? Ah, sim, camisinha. Certo. Parceiro fixo? Não? Melhor assim. Hã, por nada não, tava brincando. Tire sua roupa lentamente e deite-se na maca, com essas pernas longas e roliças nas alças. Assim, isso, mais pra frente... Ah, perfeito. Mas que beleza. Relaxe para o exame de toque. Está gostan, quer dizer, doendo? Já vou acabar, pronto, agora um soprinho pra relaxar, fuuuu, doeu, que dó... beijinho então. Pronto, pode se vestir enquanto eu fumo um cigarro e amanhã eu te ligo pra gente marcar um retorno, um cinema, um jantar.

papanicolaumente,

quinta-feira, abril 15, 2004

Ela vem andando contra o horizonte, calor dos dias formando a miragem de uma deusa, cabelos ao vento, botas na bosta. Entre vacas e búfalos, um jeans apertado, um xadrez nos bolsos da camisa, a fivela do cinto qual brasão quatrocentão de família, escudo de guerreiros medievais, caldeirão de magos ancestrais, musa de todas as épocas. Tua bota zebu aperta meu coração a cada passo sobre a relva do pasto, atrás de ti cada ovino degusta o solo sagrado, o alimento abençoado por teus sapatões, ó vaqueira. Ode à tua beleza, a teus olhos caídos, ao teu shampoo perfeito em cabelos sem nenhum estilo, és o bofe da feminilidade, sapa playboy, aquela de quem não desconfiam direito, mas aquela que mais Y tem na célula.
Vens em direção a nós, saca o laço na cintura e roda, produz som, solta a corda, laça a égua, cheira seus pelos e nela monta, como numa mulher. Senhora de si, suja de esterco, veríssima!

liricamente,

quarta-feira, abril 14, 2004

THE LÉS FILES
(ou Arquivo XX)


- Esse é li.nga bheda ja.ngalI paradeshI, diz a irmã de Kay apontando pra criança nua.
- Linga?
- li.nga bheda ja.ngalI paradeshI. Significa sexo selvagem com um desconhecido, em Hindu. Mas eu o chamo de Júpiter de Noo Gozo. Ou Jú.
- Jú. Oi, Jú. Ele é meu sobrinho?
- É sim. Eu ia chamar você pra batizar, mas esqueci ele na praça da República quando era bebê e só achei de novo semana passada. Ele foi criado por uma família de pombos. Acho que isso é um sinal que ele deve ficar pagão mesmo.
- Ele está comendo tocos de cigarro.
- Pois é, ele aprendeu com os pombos. Eu até pensei em não deixar, mas acho que seria meio traumático cortar todos os laços com a família que o amamentou, e tal...
- Pombos não amamentam.
- Ai, Kay, como você é preconceituosa, viu?

Dana estava quieta esperando uma brecha pra falar, que não apareceu, então interrompe meio impaciente.

- Com licença, eu acho que não vale a pena a gente brigar. Vamos direto ao assunto? Kay, trouxe as letras? E você, Janis Joplin, pode devolver o meu chakra agora? Obrigada, já estava me dando vontade de fazer xixi. Aliás, qual é o seu nome?
- Eu não tenho nome, eu sou uma força da natureza.
- Ela se chama Camilly Jennifer.
- EU NÃO TENHO NOME!
- Ok, já passou, vamos chamar você de Pessoa, a partir de agora - Dana continua tentando apaziguar.
- Prefiro Ser.
- Ok, Ser. É o seguinte. Houve um assassinato. Uma lésbica morreu estrangulada com uma pochete e seu dedo foi cortado. Investigamos tudo o que foi possível, mas não conseguimos descobrir nada. Estávamos desistindo quando alguém começou a nos mandar e-mails anônimos com trechos de músicas. Achamos que deve ter a ver com o crime.
- E o que eu tenho a ver com isso?
- Ser, eu e Kay não sabemos nada sobre MPB porque temos bom gosto, somos limpas e entendemos letras em outras línguas para o caso de ter que dedicar músicas. Então ela lembrou que você é uma especialista nessa área e poderia nos ajudar a interpretar as mensagens que temos recebido. Achamos que o remetente está querendo nos dizer algo com isso.
- Pode ser. Preciso pensar. Olhem o Jú pra mim que eu vou ao banheiro, o universo diz ao meu corpo que urine. Já volto.

Enquanto se dirige ao toilete, Ser pega no chão uma garrafa vazia dessas plásticas, de água. Vira pra trás. Avisa:

- Pra guardar meu fluido. É bom no café da manhã.

E sai correndo, costas da mão direita na testa qual Maria Bethânia, abrindo caminho entre os outros humanos.

recicladinhamente,



QUESTÕES DE NATUREZA UM POUCO SEXUAL

Primeira questão:

Quatro lésbicas estão andando de carro por uma estrada de terra, quando o carro atola. O que elas fazem?

1. drama.
2. se culpam mutuamente, depois se arrependem e pedem desculpas mutuamente, se abraçam, se beijam e trocam de casal ali mesmo.
3. descem do carro e ficam olhando o estrago com uma mão na cabeça dizendo “pois é...”
4. uma delas desce correndo, se joga na lama na frente do carro e grita “passa por cima, por você eu faço qualquer coisa, pode passar”.
5. sapateiam sobre a terra até aplainar o terreno.
6. tiram suas havaianas e com elas constroem uma ponte pênsil.
7. usam seus chaveiros de mosquetões, fechos de pochete e piercings para fazer uma corrente, prender num trator que está passando e desencalhar o veículo.
8. falam que com o pai que tiveram não aprenderam a ter iniciativa, mas que a mãe tiraria o carro dali com uma mão no saco.
9. aguardo mais contribuições.

aventureiramente,

segunda-feira, abril 12, 2004

oi, pessoal

como eh que foi o feriado de vcs?

o meu foi bem cheio de nada pra fazer.


quinta-feira, abril 08, 2004

Coelhinho da pascoa o que trazes pra mim 

um ovo, dois ovos.... NãOOOOOO, Dois ovos nãaaaaaaaaaaoooooooooo!

Bem-vindo à bordo do vôo 6969 da AirClit.

Por favor, durante a decolagem apertem os seus cintinhos, ajustem o pinto preso neles na posição vertical e deixe as poltronas na posição ginecológica. Durante o vôo será servida uma refeição leve com as opções de linguicinha acebolada ou mariscos à Maria Rita, acompanhados de broinhas enroladas em rolopack lubrificado. Para beber, breja de ampola, steinhegger e outras bebidas em que você possa ficar bolinando o gelo com o dedo como se fosse o monte de vênus da mulher que ama. Se desejarem mais alguma coisa, solicitem às nossas aerosapas, que estão sempre disponíveis e com as mãos bem lavadas e de unhas curtas. Nos canais de som poderão escolher entre 6 canais de MPB e 1 de sertanejo que só toca Roberta Miranda. Logo após a refeição será exibido o filme Gia, sem dublagem ou legendas porque vcs já estão carecas de saber o texto de todo esse lesbian drama. Mulher é tudo igual, por isso não temos primeira classe. Isso, claro, não se refere à nossa classe executiva, especialmente criada para publicitárias de carreira e engenheiras bem-sucedidas. Obrigada por escolherem a nossa companhia e boa viagem.

copilotamente,

quarta-feira, abril 07, 2004

pop pop pop pop.

a gente tah pra la de pop. como nao bastasse o cha com bolachas, agora a gente a sai no mix por conta do "i love pussy". quer ver? clica aqui.

terça-feira, abril 06, 2004



a.l.t.a.c.o.m.b.u.s.t.ã.o
b.a.i.x.a.c.o.m.b.u.s.t.i.n.h.o
g.o.r.d.i.n.h.a.d.e.l.o.l.ó.a.r.r.e.b.i.t.a.d.o


:: CHÁ COM BOLACHAS EM ::

LAS CHICAS TIENEN FUEGO

Traga sua calcinha de amianto e venha rebolar.
- electro - 80 - techno - bizarrices - black music -

Quarta-feira, 07 de abril, 22h no Matrix

no som:
barbie da silva
aline
e a nossa special guest
dj nega, que vai botar fogo no povo.

BOLACHA MURCHA NÃO ENTRA!

Beijos e até quarta

A Vertiginosa + Barbie da Silva + Luiz Fernando

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:: ChA CoM BoLaChAs :: LaS cHiCaS tiEnEN FuEGo ::
Quarta 07/04 - 22h - Matrix. R. Aspicuelta, 459
Com flyer: 5 ent. + 5 cons. / Sem Flyer: 8 ent. + 5 cons.
Não esqueça de imprimir seu flyer! Ele é o seu desconto!
Organização: A Vertiginosa + Barbie da Silva + Luiz Fernando

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www.fotolog.net/chacombolachas


THE LÉS FILES
(ou Arquivo XX)

Andando entre os jovens malabaristas que colorem os corredores do Sesc Pompéia, Scarteta não tem pressa. Circula um pouco amedrontada entre a multidão de novos hippies que gostam de reggae e fazem escola de circo. Teme pelo futuro da humanidade. Sente então um cheiro familiar, acompanhado de uma onda de enjôo, uma certa náusea que a invade desde que era criança. O cheiro de cigarro de cravo. Seu pai fumava cigarros de cravo. Dava uma tragada bem funda e soprava na sua carinha, rindo enquando a criança ficava verde, às vezes golfava. Ela pára um pouco, como que para se recompor. Apoiada a uma parede de tijolos, observa ao seu lado uma garota grávida, de saia longa, a adolescente que fuma Sampoerna. Seu pai não fazia por mal, era seu jeito de amar. Além disso, ela também queria comer sua mãe. Suando frio, toma coragem e engole o mal-estar. Segue a procura de Dana Escolhe. Até que, entre um mar de boinas nas cores da Jamaica, reconhece um turbante africano que trouxe do Zimbabwe há muitos anos, quando ela e Dana ainda eram recém formadas na academia. Desiludida por ter levado um pé na bunda, Scarteta passou 3 meses na África sem tomar banho e tentando ser missionária. Voltou quando não aguentava o próprio cheiro, com os pelos da perna alcançando os 3 centímetros, o buço já sombreando e o coração cicatrizado.

- Dan, o que é isso?
- Isso o que?
- Esse... Turbante?
- Ah, pensei que a gente ia atuar disfarçada...
- Mentira, você sempre quis usar isso...
- E não tinha ocasião, mas aqui fica perfeito, então me deixa. O que nós vamos fazer aqui?
- Você, provavelmente, vender acarajé. Eu vou encontrar uma pessoa que vai nos ajudar com as letras de música.
- Quem?
- Alguém que eu conheço.
- Quem?
- Não importa, uma aí.
- Se não é uma ex, como você disse, de onde você conhece essa pessoa? Kay, é importante pras investigações saber se a fonte é confiável.
- Tá bom. É minha irmã mais nova.
- Irmã?
- Sim. Eu tenho uma irmã neohippie que frequenta o Dinorah e já transou com o Paulinho Moska! E agora chega, não quero mais falar no assunto.
- Ok... É que eu nunca pensei que os mesmos pais que...
- Chega!!!

É então que elas ouvem:

- Mana!

Uma colcha de retalhos vem na direção delas. Pés no chão, as sandálias de couro penduradas na cintura, uma saia feita de vários pedaços de toalhas de mesa, lenço de chita no cabelo, top de croché, uma tigresa de unhas negras íris cor de mel, a pele escura, os olhos tranquilos de quem conhece o destino, uma criança de uns 2 anos pelada vem andando atrás, juntando do chão tocos de cigarro e comendo, unhas suja e brincos de pena. O sorriso distribui paz e tortura Scarteta.

- Mana, que saudade, vem aqui, deixa eu ver tua aura... Tá meio roxa. E essa é Dana? Nossa, que energia boa, posso por minha mão um pouquinho no seu chakra?

Confusa, Dana deixa. E a outra põe a mão entre suas pernas, fecha os olhos e fica lá, respirando fundo. Dana sente um calor, mas tem quase certeza de que é só troca de energia vital. Scarteta pensa em se matar, em desintegrar, em desonrar a memória de Lina Bo Bardi que inventou aquele espaço. Em destruir as pessoas que se reunem aqui como uma seita pra celebrar o fim da era do sabonete, do trabalho, dos tecidos sintéticos, da contracepção e da responsabilidade social. Só de raiva, acende um cigarro e sopra a fumaça na cara da criança.

limpinhamente,

sexta-feira, abril 02, 2004



I Love Pussy

Matinê chuca-chuca para garotas


Vange Leonel e Cilmara Bedaque se juntam à dupla Barbie da Silva e A Vertiginosa (Chá com Bolachas) e organizam uma grande balada/matinê GLS para garotas em São Paulo. Programada para acontecer no primeiro domingo do mês no Bop Bistrô, a festa, batizada de " I Love Pussy ", vai reunir garotas de todas as idades e tribos urbanas. Meninos também são benvindos, mas as garotas predominam. Pista para quem quer dançar, bar para quem for beber, restaurante para matar a fome e meninas para encher os olhos.


Domingo - dia 4 de abril: DJs Barbie da Silva, Lulu e Stella Obscura.
A matinê tem início às 19HS e vai até a meia-noite.

quinta-feira, abril 01, 2004

O processo inverso agora:

Nossa, como vc eh grossa!
Nao, sou lesbica mesmo.

Nossa, como ela eh brega!
fala baixo! ela eh lesbica!

Nossa como tu eh complicada!
nao, eh que sou lesbica!

APRENDENDO COM A VIDA

Lição da Arrumação da Mala

Amigas que escolhem, sejamos honestas, use você saia plissada e manguito no frio, sempre chega uma ocasião em que você sente aquela vontade de arrumar a mala. Só que nessa hora toda mulher, mesmo as que escolhem, ficam confusas, não sabem o que vão usar, se vai caber ou se vão ter força pra carregar aquele malão. Mas relaxe. Com os 7 passos da Vida você vai poder fazer uma mala perfeita para qualquer ocasião.

Passo 1: abra sua gaveta.
Passo 2: pegue uma meia.
Passo 3: enrole a meia, mas não muito bolotinha, faça o rolo mais compridinho. Dica: meça quantos cms você tem da ponta do dedo médio (no caso da jelly não é médio, é dedo grande) até o começo do pulso. Este deve ser o comprimento do rolo de meia.
Passo 4: escolha uma calcinha estilo cueca, ou uma cueca, mas coladinha ao corpo, samba-canção não segura direito.
Passo 5: posicione a meia dentro da cueca, com uma das pontas bem ao centro, onde está o seu monte de vênus, e a outra ponta para o lado, onde a perna junta com a coxa. Dica: coloque para a esquerda, é mais comum e mais natural.
Passo 6: coloque uma calça jeans justa, mas não tão justa que esmague a meia.
Passo 7: olhe-se no espelho. Não é lindo?

Chega dessa história de inveja do pênis. Arrume já a sua mala e saia por aí, orgulhosa, ostensiva, triunfante e não ligue para as coisas que os seus colegas de trabalho vão falar.

Seja o que você é por dentro. Aprenda com a Vida.

* Vida Babauê é terapeuta familiar especializada em jung, macramê e terapias mecânicas da inveja do pênis.

THE LÉS FILES
(ou Arquivo XX)

Madrugada. Madrugada nua sob luz azul. Kay está sozinha em casa. Dana saiu de lá há pouco. Elas estão cansadas. Estão quase desistindo. As pistas levam a lugar nenhum, os exames indicam dados contraditórios, as vítimas eram praticamente desconhecidas. Kay não consegue dormir. Kay fuma um cigarro e bebe vinho avinagrado, na sala escura da sua casa. Na sala escura de sua alma. Sente que fracassou por inteiro, nunca mais vai ter um caso, nem de amor, nem de trabalho. A fumaça azulada no escuro da noite a hipnotiza. Mas, como um sopro violento sobre um castelo de cartas, o som de pato que indica que chegou um e-mail no seu i-mac pink dissipa a fumaça e a ausência de pensamentos. Deve ser mais um daqueles powerpoints esotéricos da Dana. Arrastando as pantufas masculinas, kay de cueca e com um volume estranho entre as pernas vai até o computador. Clica sobre o envelopinho. Espera o programa carregar. A mensagem abrir. Coloca os óculos. Não conhece o remetente gargantarranhada@hotmail.com. A mensagem diz apenas isso:

nada vai mudar, este caso não tem solução, somos todas feras feridas, no corpo, na alma e no coração.

Só isso. Sem assinatura, sem um provedor conhecido, um e-mail anônimo parodiando uma música. Intrigada, kay senta-se no seu puff em forma de sapato, tira a meia de dentro da cueca e fica jogando pra cima, pensando. Seus pensamentos são subitamente interrompidos pelo toque do telefone. Quem seria, àquela hora, o dia quase amanhecendo.

- Alô?
- Key? Acabo de receber um e-mail muito suspeito.
- Você tbem, Dana?
- Como assim? Você também recebeu um e-mail da Garganta Arranhada?
- Sim. Com uma letra de música. Fera Ferida.
- Hm. O meu diz: pela tela, pela janela, quem é ela, quem é ela?
- O que você acha que significa isso?
- Acho que pode ter algo a ver com o crime da berinjela, porque é um caso sem solução.
- E nós ficamos insistentemente nos perguntando quem é ela, a assassina!
- Vaca, ela está rindo da gente. Nos provocando.
- Dana, essa assassina é uma exibicionista. Não se conformou com o fato do caso estagnar, ela quer ser descoberta. Precisamos ficar atentas porque ela provavelmente vai mandar mais pistas.
- Cifradas, em forma de letra de música.
- Mas que droga, logo eu, que detesto MPB...
- Eu também, tirando a Vange.
- A não ser que... Dana, me encontre no Sesc Pompéia, hoje, as 13h. Acho que já sei quem poderá nos ajudar.
- Key, não vai procurar aquela sua ex que parece filha da Erika Badu com a Cesária Évora...
- Não, não. Fique tranquila. Não existe sexo envolvido. Até mais tarde e leve um violão.
- Que horror...

E agora? O que vcs acham que vai acontecer?

misteriosamente,

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